Nos folhetos e anúncios publicitários, alem de artigos em jornais e revistas, o policarbonato é anunciado, há anos como o substituto do vidro na construção civil. Somente o tempo poderia dar uma resposta adequada. Esse momento parece Ter chegado pela experiência do Hotel Sheraton Mofarrej.
    Ambiente de padrão 5 estrelas, localizado na cidade de São Paulo, o Hotel da rede Sheraton, montado no edifício da família Mofarrej, adotou o policarbonato na cobertura de seu hall de entrada e restaurante, que possui 1.200 m2 de área continua.
    O fator resistência foi o que mais pesou na escolha, pois um produto "semelhante em tudo ao vidro", como era anunciado, com maior resistência ao impacto, oferecia a segurança que o estabelecimento exigia.
    O hall e o restaurante foram então montados, em 1992, com vidro temperado nas laterais e na mesma tonalidade, policarbonato importado na cobertura, que cumpriu sua função satisfatoriamente durante os primeiros cinco anos.
    Segundo os operadores da rede Sheraton, no final desse período o material começou a apresentar grande desgaste devido à abrasão necessária para sua limpeza e,  gradativamente, passou a tornar- se opaco e leitoso devido, supõe- se, às variações climáticas.
    Os operadores da rede afirmam, ainda, que suportaram a convivência com o material, mesmo com a perda da transparência, por mais dois anos. Após esse período, no entanto, o policarbonato instalado passou a apresentar deformações. Algumas placas entortavam levemente e permitiam que a água penetrasse no ambiente interno em dias chuvosos. Os vidros temperados, instalados no mesmo local, mantiveram sua transparência e integridade nesse mesmo período. Os operadores contam que ainda tentaram eliminar os vazamentos pelos métodos tradicionais conhecidos, mas, assim que sanavam um vazamento, outra placa apresentava problemas e água atingia o piso de jacarandá, os sofisticados sofás feitos com tecido importado e outros bens típicos de um ambiente de alto padrão, prejudicando, sobretudo, a imagem do hotel.
    Foi então determinada a substituição do teto. Após uma concorrência, a empresa paranaense. Engevidros ficou com a tarefa, iniciando as obras no final do ano passado.
    O engenheiro Ricardo A. de Macedo, diretor da empresa,  conta que, após uma análise técnica, ficou constatado que o policarbonato tinha sido o grande vilão do episódio, pois a estrutura não apresentava deformações e o caixilho só apresentava deterioração devido às infiltrações.
    A estrutura foi mantida e o caixilho foi substituído pelo sistema Engevidros Skylight, dotado de canaletas internas para coleta de água de condensação.
    Por exigência dos operadores da rede, o caixilho foi testado por um laboratório americano e o trabalho realizado por áreas, exigindo grande agilidade dos instaladores. "O teto foi montado em 90 dias e feito por etapas", conta Ricardo. "O trabalho teve algumas interrupções, devido a alguns eventos do hotel, e tivemos de fazer tudo com o mínimo de interdição de áreas possível", acrescenta.
    O vidro instalado no local foi o laminado Suncool, da Blindex, sendo a parte externa com metalização prata e a interna na cor bronze.
    Ao final da obra, em Outubro, os clientes ficaram muito satisfeito com os resultados, pois além da garantia de um material cuja durabilidade, comprovadamente, é capaz de atravessar um século sem alteração, obtiveram ainda melhor desempenho térmico e acústico para o ambiente.
    Valendo- se da experiência adquirida por sua empresa, Ricardo explica que o policarbonato, em relação ao vidro, apresenta poucas vantagens e muitas desvantagens em sua utilização.
    De preço equivalente ao vidro, a primeira vantagem do policarbonato seria o de possuir menor peso próprio. O produto pesa de 3 a 5 quilos por metro quadrado, enquanto o vidro de 8 mm de espessura, normalmente utilizado em coberturas, pesa aproximadamente 20 quilos por metro quadrado. Entretanto, o engenheiro cita que a maior carga em uma cobertura, por exemplo, não é a do peso próprio do material, mas sim do vento, que chega a ser de até 100 quilos por metro quadrado de carga direta, entre sucção e pressão de sucção. "Então essa diferença de 15 quilos, aproximadamente, deixa de ser muito vantajosa", explica.
    Outra possível vantagem do policarbonato, citada por Ricardo, seria a de poder ser curvado a frio. No entanto, quando isso é feito, o material craquela e cria tensões que, sob a ação do sol, umidade e frio, reduzem ainda mais sua vida útil, que é no máximo 10 anos.
    A terceira e principal vantagem é que ele é praticamente inquebrável. É no entanto, mais sensível à abrasão, podendo sofrer riscos e arranhões mais facilmente que o vidro.
Ricardo enfatiza  que diversas qualidades do vidro superam as do policarbonato. A principal seria a vida útil praticamente ilimitada, mantendo sua integridade física e transparência, mesmo após anos de uso e exposto às mais variadas condições climáticas ou produtos químicos.
    Seu aspecto estético é nobre e sua versatilidade permite que seja utilizado sob medida para cada situação especifica.
    "É possível especificar o vidro para atenuar ou não o calor, o frio, a intensidade acústica e a iluminação no ambiente, e agora com a chegada dos vidros duplos com gás entre as laminas ou com venezianas embutidas, o vidro está ganhando uma sofisticação cada vez maior", completa.

 

 


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