Conhecendo o material

As embalagens de vidro são usadas para bebidas, produtos comestíveis, medicamentos e perfumes cosméticos e outros artigos. Garrafas, potes e frascos superam a metade da produção de vidro no Brasil. Usando em suas formulação areia, calcário, barrilha e feldspato, o vidro é durável inerte e tem alta taxa de aproveitamento nas residências. A metade dos recipientes de vidro é fabricados no País é retornável. Além disso, o material é de fácil reciclagem: pode voltar a produção de novas embalagens substituindo o produto virgem sem perda da qualidade. A inclusão de caco de vidro no processo normal de produção reduz o gasto com energia. Para cada 10% de caco de vidro na mistura se economiza-se 2,5% da energia para fusão nos fornos industriais.

Qual o seu peso no lixo?

No Brasil, o vidro corresponde a 3% dos resíduos urbanos. Nos Estados Unidos o índice em 1993 era de 6,6% equivalente a 11,3 milhões de toneladas por ano.

O ciclo da reciclagem: voltando as origens

Nos sistemas de reciclagem mais completos, o vidro bruto estocado em tambores é submetido a um eletroimã para a separação dos metais contaminantes. O material é lavado em tanque com água que após o processo precisa ser tratada e recuperada para evitar desperdício e contaminação do lençol freático. Depois, o material passa por uma esteira ou mesa destinada à catação de impureza como restos de metais, pedras plásticos e vidros indesejáveis que não tenham sido retidos. Um triturador de 2HP transforma as embalagens em cacos de tamanho homogêneo que são encaminhados para uma peneira vibratória. Outra esteira leva o material para um segundo eletroimã que separa os materiais ainda existentes nos cacos. O vidro é armazenado em silo ou tambores para abastecimento da vidraria, que usa o material na composição de novas embalagens.

O mercado para reciclagem

O Brasil produz em média 800 mil toneladas de embalagens de vidro por ano, usando cerca de um quarto de matéria-prima reciclada na forma de cacos. Parte deles foi gerada com refugo nas fábricas e parte retornou por meio da coleta. Os Estados Unidos produziram 10,3 milhões de toneladas em 1990, totalizando 41,1 bilhões de embalagens, principalmente para alimentos (33%) e cerveja (31%). Desse total, 500 mil a 1 milhão de toneladas foram importadas. O principal mercado para recipientes de vidro usados é formado pelas vidrarias, que compram o material de sucateiros na forma de cacos ou recebem diretamente em suas campanhas de reciclagem. Além de voltar à produção de embalagens, a sucata pode ser aplicada na composição de asfalto e pavimentação de estradas, construção de sistemas de drenagem contra enchentes, produção de espuma de fibra de vidro, bijuterias e tintas reflexivas. Devido ao peso, uma das dificuldades para reciclagem de vidro é o custo do transporte da sucata. Os sucateiros e vidrarias costumam exigir o mínimo de 10 toneladas para fazer a coleta a uma distância não superior a 400 quilômetros.

Quanto é reciclado

27,6% das embalagens de vidro são recicladas no Brasil, somando 220 mil toneladas por ano. Desse total 5% são geradas por engarrafadores de bebidas, 10% por sucateiros e 06% provém da coletas promovidas por vidrarias. Os outros 12% representam refugos de vidro gerados nas fábricas, reaproveitados para compor novas embalagens. Nos EUA, o índice de reciclagem em 1993 foi 24,6%, correspondendo a 3 milhões de toneladas. No Japão, são recuperadas 55,5% o que representa 1,3 milhão de toneladas.

Sua história

A lenda conta que o vidro foi descoberto ocasionalmente há 4 mil anos por navegadores fenícios, ao fazerem uma fogueira na praia: com o calor, a areia o salitre e o calcário das conchas reagiram, formando em vidro. A indústria vidreira se desenvolveu rapidamente, mas a coleta seletiva só começou na década de 60 nos EUA, que hoje já conta com 6 mil pontos de coleta de embalagens de vidro, No Brasil, a primeira iniciativa organizada surgiu em 1966, em São José do Rio preto, interior de São Paulo. Em 1986, a Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (ABIVIDRO) lançou um programa nacional de coleta que atualmente envolve 7 milhões de pessoas em 25 cidades.

Contaminação

Os cacos encaminhados para reciclagem não podem conter pedaços de cristais, espelhos, lâmpadas e vidro plano usado nos automóveis e na construção civil. Por terem composição química diferente, esses tipos de vidro causam trincas e defeitos nas embalagens. O mesmo ocorre se os cacos estiverem misturados com terra, cerâmicas e louças: como não são fundidos junto com o vidro, esses materiais acabam formando pedras no produto final, provocando quebra expontânea do vidro. Plástico em excesso podem gerar bolhas e alterar a cor da embalagem. Igual problema se verifica quando há contaminação por metais, como tampas de cerveja e refrigerante: além de bolhas e manchas, o material danifica o forno. A tolerância máxima é de uma grama de ferro e 30 de alumínio por tonelada de caco.

Rígidas especificações da matéria-prima:

O vidro deve ser separado por cor para evitar alterações de padrão visual do produto final e reações que formam espumas indesejáveis no forno. Frascos de remédios só podem ser reciclados se coletados separadamente do lixo hospitalar. As embalagens quebradas servem para reciclagem

É importante saber...

Além do consumo de embalagens retornáveis, a quantidade de sucata pode ser reduzida mediante o uso de garrafões de maior capacidade no lugar de recipientes menores. As vidrarias tentam diminuir a quantidade de insumos para fabricação de garrafas ,aos leves que tenham a mesma resistência.

Compostagem

O vidro não é degradável e dificulta a operação das usinas de compostagem, que, precisam separá-lo por processos manuais ou mecânicos.

Incineração

O material não é combustível e se funde a 1200 graus, transformando-se em cinzas. Seu efeito abrasivo pode causar problemas aos fornos e equipamentos de transporte.

Aterro

As embalagens de vidro não são biodegradáveis.

 

 


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